Autor Pr. Thiago Santana
Você
já ouviu esta música?
E no inferno uma festa tremenda
"Matamos ele, acabamos com ele naquela cruz
Vamos amarrar o corpo de Jesus"
Mas tremeram de susto porque o infinito brilhou
Jamais viram luz naquele lugar
Só podia ser o meu senhor
"Matamos ele, acabamos com ele naquela cruz
Vamos amarrar o corpo de Jesus"
Mas tremeram de susto porque o infinito brilhou
Jamais viram luz naquele lugar
Só podia ser o meu senhor
E ele desce como um raio, corta a terra,
treme o chão
Arrebenta as muralhas, despedaça os grilhões
Toda autoridade lhe foi dada no céu e na terra
O diabo se ajoelha, cai por terra, entrega tudo
Para aquele que agora é o senhor do mundo
Quando chega Jesus, o menor tem que se render
Arrebenta as muralhas, despedaça os grilhões
Toda autoridade lhe foi dada no céu e na terra
O diabo se ajoelha, cai por terra, entrega tudo
Para aquele que agora é o senhor do mundo
Quando chega Jesus, o menor tem que se render
E ele desce, desce, desce, desce, desce no
abismo
E a sua luz brilha, brilha, brilha, brilha, que parece um paraíso
E a sua luz brilha, brilha, brilha, brilha, que parece um paraíso
O inferno em desespero, os demônios saem correndo
A morte fica ali tremendo, pois perdeu o seu poder
É o homem do cavalo branco que saiu pra vencer
Ele toma as chaves e sacode para cima
O poder invade tudo, ele é deus, ele é senhor
O diabo confessa que Jesus é o rei dos reis
A morte fica ali tremendo, pois perdeu o seu poder
É o homem do cavalo branco que saiu pra vencer
Ele toma as chaves e sacode para cima
O poder invade tudo, ele é deus, ele é senhor
O diabo confessa que Jesus é o rei dos reis
Você sabia
que apesar de parecer muito “ungida” essa música não passa de “mitologia” sobre o
inferno, e que diferente do que o hino alegoriza, o inferno não é o Reino de
Satanás ou a morada dos demônios, e inevitavelmente surge a pergunta, então
o que é o inferno?
Para poder compreender o que significa inferno e qual
o local que este nome representa, primeiramente é necessário estar ciente que o
significado da palavra inferno tem sido interpretada de formas diferentes pelos
teólogos brasileiros, e que ela é utilizada nas traduções brasileiras para
traduzir diferentes vocábulos das línguas originais das Escrituras Sagradas,
que nomeiam lugares distintos, gerando assim más compreensões e dúvidas sobre
o assunto.
O Vocábulo inferno vem do latim infernum, que significa literalmente lugar inferior, 'as
profundezas da Terra'1, o vocábulo infernum foi
utilizado por Jeronimo na tradução da Vulgata para traduzir diferentes
vocábulos das línguas originais que representam diferentes lugares na Bíblia,
Jeronimo traduziu do hebraico a palavra Sheol no Antigo Testamento ,
e do grego os vocábulos “hades”, “tártaro” e “geena”, no Novo Testamento.
I – O “Sheol” do Antigo
Testamento.
No hebraico
verotestamentário
o "lugar dos mortos" é nomeado pela palavra she’ôl o
qual é encontrado 65 vezes na
Bíblia Hebraica, segundo o dicionário Vine a palavra she’ôl se refere ao reino dos mortos ou caverna
subterrânea para a qual todos os mortos vão, não se entendia inicialmente que o
she’ôl fosse um lugar de castigo, mas apenas o último lugar
de descanso de todo o gênero humano (Gn 37:3s5).
Assim, pensava-se que era a terra sem retorno (Jó
16:22; 17:14-16). Era um lugar para ser
temido, não só porque significava o fim da vida física na terra, mas também
porque ali não havia louvor de Deus (Sl 6:5),
ensejando assim que ali não havia comunhão com Deus, por este motivo sua
libertação era uma benção (Sl 30:3).2
Ao longo das 65 ocorrências desta palavra no período
do hebraico bíblico ela ganha dois significados:
Primeiro, a palavra significa o estado de morte:
“Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará?” (Sl 6:5; cf. Sl 18:5).
É o lugar do descanso final de todos os homens: “Na prosperidade gastam os seus
dias e num momento descem à Sepultura” (Jó
21:23). Ana confessou que era o Deus onipotente que leva os homens ao she’ôl
(morte) ou os mata (1 Sm 2:6). “Sheol” é
paralelo às palavras hebraicas para “inferno” (Jó 26:6),
“corrupção” (Sl 16:10) e “perdição” (Pv 15:11).3
Segundo, “sheol” é usado para descrever um lugar de
existência consciente depois da morte. Na primeira ocorrência bíblica da
palavra, Jacó disse: “Na verdade, com choro hei de descer ao meu filho até à sepultura”
(Gn 37:35). Todos os homens vão para o
“sheol” – um lugar e estado de consciência depois da morte (Sl 16:10). Os ímpios são castigados ali (Nm 16:30; Dt 32:22; Sl 9:17). Eles são postos em vergonha e silenciados
no “sheol” (Sl 31.17). Jesus aludiu ao uso que
Isaías fez da palavra she’ôl (Is
14:13-15), quando pronunciou o julgamento sobre Cafarnaum (Mt 11:23), traduzindo “sheol” por “Hardes” ou
“Inferno”, significando o lugar de da existência consciente e julgamento. É um
lugar indesejável para os ímpios (Jó 24:19) e
um refúgio para os justos (Jó 14:13). “Sheol”
também é lugar de recompensa para os justos (Os 13:14;
cf. 1 Co 15:55). O ensinamento de Jesus em Lc 16:19-31 reflete com precisão o conceito
do Antigo Testamento sobre o she’ôl. É um lugar de existência
consciente depois da morte, um lado do qual está ocupado pelo sofrimento, os
mortos injustos estão separados por um grande abismo do outro lado povoado
pelos mortos justos que desfrutam sua recompensa.4
A doutrina do Inferno evolui-o na Teologia Bíblica verotestamentária, ao transcorrer da revelação
progressiva o conceito para "sheol" deixou de designar simplesmente
sepultura, cova, morte, e ganhou a definição de "lugar dos mortos",
outro ponto importante a ser ressaltado é que no antigo testamento o she’ôl
é receptor dos justos e injustos.
Essas particularidades da Teologia Bíblica do Antigo
Testamento geraram muitas más compreensões sobre o que significa o inferno, um
leitor desavisado do Antigo Testamento poderá interpretar equivocadamente que o
inferno não passa da sepultura ou morte, mas essa interpretação ignora
importantes versículos que já apresentamos acima.
II– O “Hades” do Novo Testamento.
Na Teologia neotestamentária
o termo hebraico “sheol” é substituído pelo grego “hades”, o Senhor Jesus utilizou a palavra “hades” para traduzir o uso que Isaías fez da palavra she’ôl
(Is 14:13-15), quando pronunciou o julgamento sobre Cafarnaum (Mt 11:23), traduzindo “sheol” por “Hardes”,
significando o lugar de existência consciente e julgamento.
Conforme a definição dada por W. E. Vine a derivação
mais provável da palavra é “hadõ”, significando “todo-receptor”. Apesar de ser equivalente a palavra hebraica
“sheol”, difere desta porquanto ela nunca denota sepultura ou simplesmente
cova.5
Na mitologia grega o “hades” era a região dos mortos,
local que recebia todos dos mortos seja “bons” ou “ruins”, e era dividido em
três partes: os campos elísios, um lugar de recompensa para os bons homens, o
“Campo” um local sombrio para onde se dirigiam as almas menos afortunadas, e o
Tártaro que era a prisão inferior do "hades" para onde eram levados os titãs e
deuses desobedientes, estes três locais também eram conhecidos como os três
caminhos.6
O que se percebe é que durante o período da revelação
bíblica o conceito de “sheol” foi evoluindo de “sepultura” para a região dos
mortos à medida que mais luz era dada pela revelação divina sobre o estado dos
homens após a morte, assim no Novo Testamento o conceito da existência da
região inferior dos mortos dividida por um grande abismo onde de um lado estão
os ímpios em sofrimento e do outro os Justos em consolo (cf. Lc 16:19-31) já está formado, tomando-se assim a do
vocábulo grego a palavra “hades” para defini-lo.
A Teologia do Novo Testamento esclarece que o “hades”
estava dividido em duas partes separado por um abismo intransponível onde de um
lado estavam os ímpios em sofrimento e tormento, e do outro, os justos sendo
consolados em um local que O Senhor Jesus denominou como Seio de Abraão (Lc 16:19-31), após a morte vicária de Cristo todos os
justos foram retirados do hades e levados para o paraíso junto com o Senhor no
céu (cf. Ef 4:8-9; 2
Co 12:1-4; Fp 1:23; 2 Co 5:8) , mas que ainda não é a Nova Jerusalém
Celeste (Ap 3:12; Ap
21:2), as almas dos ímpios que
ficaram no “hades” também não ficaram para sempre pois o “hades” as devolveram
para serem definitivamente julgadas perante o Trono Branco (Ap 21:11-13), assim o “hades” constitui-se um destino
temporário dos condenados.
III– A utilização da palavra grega “Tartaro” no Novo Testamento.
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| Esboço da localização do Tártaro, na mitologia Grega. |
A palavra grega “tártaro” aparece somente uma vez no
Novo Testamento denotando o local aonde foram presos os anjos que pecaram (2 Pe 2:4). Na mitologia grega era o lugar onde os
titãs e os deuses desobedientes eram presos e estava situado num lugar mais
profundo que Hades, para os romanos o “tártaro” passou a representar o mesmo
que “hades” para os gregos, na época apostólica a crença era que o Tártaro
estava debaixo do “hades”.7
Apesar de o vocábulo
“tártaro” aparecer somente uma vez, sua doutrina é corroborada através do capitulo nove de Apocalipse onde
está relatado à visão que o
apostolo João teve após o toque da quinta trombeta durante a grande tribulação
que consistirá na abertura de um abismo donde saíram criaturas antropomórficas
para assolar a humanidade, texto no qual alude a libertação dos anjos presos no
“tártaro” para castigar os homens.
IV– O Geena do Novo Testamento.
No Novo Testamento um novo lugar é
apresentado como local para aniquilação de toda a maldade e rebeldia contra
Deus, destino de todos rejeitaram a salvação pela graça de Deus e lugar final
para quais todos os que estão no hades após sua ressureição serão enviados, o
“Genna”.
| Vale de Hinom atualmente em Israel |
A palavra “geena” é forma grega da palavra hebraica
Gê-Hinnom local
onde estava localizado o vale de Tofete, local correspondente no Velho
Testamento a Hinom, que diz respeito a um lugar chamado “Vale dos filhos” ou do
“filho de Hinom”, localizado ao sul de Jerusalém (Js 15:8). O local foi muito utilizado para adoração pagã,
onde eram realizados sacrifícios de crianças em ritual pagão. (II Cr 28:3; II Cr 33:6;
Jr 7:31-32; Jr 32:35).
O rei Josias no intuito de acabar com a adoração pagã no local, fez dele um local para incineração de lixo (cf. 2 Reis 23:10; Jr 32:35;
II Cr 33:6). Devido
ter o Vale de Hinom ter se tornado um local para continua incineração de lixo,
desde o período interbíblico os rabinos começara aplicar a palavra “Gê-Hinnom”
como a designação do fogo escatológico a qual estavam destinados todos os ímpios.7
Jesus utilizou da forte impressão do vale ininterruptamente coberto de chamas e
vermes que se espalhavam por todas as partes, para aludir o sofrimento que os
condenados ao lago de fogo terão.
No Novo Testamento a palavra é
utilizada 12 vezes, das quais 11 estão nos Evangelhos Sinóticos, em todas as
ocasiões proferidas pelo Senhor Jesus como o local de condenação eterna no fogo
que nunca se apaga. (Mt 5:29; Mt 18:9; Mc 9:44, 46, 48; Lc
12:5).
No livro de Apocalipse o “genna” é nominado de lago de fogo (Ap 19:20; Ap 20:10-15; Ap 21:8),
local de condenação eterna dos ímpios e de Satanás com os demônios e de
aniquilação do da morte e do “hades”, será
inaugurado pelo anticristo e seu falso profeta (Ap
19:20) e depois do milênio Satanás também será lançado nele (Ap 20:10), seguido por todos aqueles que não tiverem
seus nomes escritos no livro da vida no Julgamento do Trono Branco, ganhando
este local de o nome de segunda morte (Ap 20:11-15),
o povoamento do “geenna” (ou Lago de Fogo) se dará em quatro etapas:8
1) Quando Cristo vier à Terra em poder e
grande glória, o Anticristo e o Falso Profeta inaugurarão o “genna” (Zc 14:4; Ap 19:20).
2) Em seguida, os condenados do Julgamento
das Nações irão para "o fogo eterno, preparado para o diabo e seus
anjos", "o tormento eterno" (Mt 25:31 - 41,46).
3) Mais tarde, será a vez do Diabo e seus
anjos irem para o lugar para eles preparado (Ap 20.10).
4) Finalmente, após o Juízo Final, todos os
ímpios estarão reunidos no "genna". (Ap 20.15; 21:8).
Tudo
que esclarecemos até agora mostra que o conceito Bíblico de Inferno difere da
“mitologia”, que muitos cristão com falta de conhecimento bíblico acreditam,
que coloca o inferno como local onde Satanás reina e reside com todos os seus
demônios, defender isso é estar completamente ao arrepio da revelação Bíblica,
mas isso infelizmente tem sido um equivoco que tem sido ensinado em púlpitos,
canções e até escolas dominicais, que chegam a alegorizar essa falsa ideia com
a fábula que Senhor Jesus desceu no inferno e tomou da mão de Satanás as chaves
de lá.
É importante
ressaltar que em nenhum lugar nem a palavra “sheol”, “hades” ou “geenna” é
utilizada nas Sagradas Escrituras para denotar Satanás, seus demônios ou seu
reino, ele nunca teve o domínio desses lugares, este sempre pertenceu a Deus.
Mas alguém pode argumentar porque então em Apocalipse 1.18 o Senhor fala que
tem as chaves da morte e do “hades”, naquele texto chaves significa autoridade,
assim o significado do texto é que Ele, e somente Ele, tem as chaves para a
ressureição dos justos.9
Mas há ainda uma pergunta a
ser respondida, o inferno é o “hades”, o “tártaro” ou o “geenna”? Alguns estudiosos concluem definindo inferno como o
“hades” levando em consideração o significado etimológico da palavra como lugar
inferior, definindo assim como o "hades"
neotestamentário, outros valendo-se da evolução diacrônica da palavra na língua
portuguesa, que ganhou a denotação de
local de condenação e suplicio eterno, concluem definindo inferno como “geena”,
o lago de fogo. Seja qual for à posição que seja adotada o inferno é um local a
qual deve ser temido e evitado.
Notas Bibliográficas
1 Dicionário Eletrônico Houaiss, Verbete Inferno, Etimologia.
2 Dicionário Vine, CPAD, p. 296.
Notas Bibliográficas
1 Dicionário Eletrônico Houaiss, Verbete Inferno, Etimologia.
2 Dicionário Vine, CPAD, p. 296.
3. Ibid.
4. Ibid
5. Ibid. 689.
6. SOARES, Esequias, Manual de Apologética
Cristã, CPAD, p. 132.
7. Ibid. p. 131.






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